
Foto: Partha Sarathi Sahana/Flickr
Frank Rijsberman, diretor dos 15 centros mundiais de pesquisas de colheitas CGIAR, que estudam a insegurança alimentar, disse: “A produção de alimentos terá de aumentar 60% até 2050 só para manter o ritmo previsto de crescimento da população global e da alteração da demanda. A mudança climática se sobrepõe a isso. Os ganhos de produção anuais que passamos a esperar serão cancelados pela mudança climática. Não estamos tão preocupados com a quantidade total de alimento produzido, quanto com a vulnerabilidade do um bilhão de pessoas já sem alimento e que serão as mais atingidas pela mudança climática. Elas não têm capacidade de se adaptar”.
A economia agrícola dos Estados Unidos está destinada a sofrer mudanças drásticas nos próximos 30 anos, pois as temperaturas mais elevadas devastarão plantações, segundo um relatório do governo norte-americano. O esboço de relatório de Avaliação Climática Nacional dos EUA prevê que o clima a se aquecer gradualmente e condições severas imprevisíveis, como a seca do ano passado que se espalhou por dois terços dos EUA continentais, terão sérias consequências para os agricultores.
A pesquisa feita por 60 cientistas prevê que todas as colheitas serão afetadas pela mudança de temperatura, assim como a pecuária e as colheitas de frutas. A mudança do clima, ele diz, provavelmente levará a mais pragas e herbicidas menos eficazes. A indústria de vinho da Califórnia, de 50 bilhões de dólares, poderá encolher até 70% até 2050.
O relatório expõe as duras consequências para o setor agrícola dos EUA, de 300 bilhões de dólares, afirmando: “Muitas regiões agrícolas vão experimentar declínios na produção de colheitas e da pecuária com a crescente incidência de extremos climáticos. Os distúrbios climáticos aumentaram no passado recente e há projeções de que aumentarão nos próximos 25 anos. Limites críticos já foram ultrapassados. Muitas regiões vão sofrer por causa do maior estresse devido a plantas daninhas, doenças, insetos e outros estresses induzidos pela mudança climática”.
O autor principal, Jerry Hatfield, diretor do Laboratório Nacional para Agricultura e Meio Ambiente do governo dos EUA, disse que a mudança climática já está fazendo os extremos piorarem. Noites muito quentes, menos dias frios e mais ondas de calor, tempestades e enchentes já devastaram colheitas.
O relatório acompanha recentes colheitas desastrosas na Rússia, Ucrânia, Austrália e Estados Unidos. Em 2010, fatores influenciados pelo clima levaram a uma queda de 33% na produção de trigo na Rússia e de 19% na Ucrânia. Eventos climáticos separados levaram a uma queda de 14% na produção de trigo do Canadá e de 9% na Austrália.

Foto: https://www.fao.org.br/
Duas grandes cúpulas de segurança alimentar estão se realizando na Irlanda, organizadas pelo Programa Mundial de Alimentação da ONU, o Programa de Pesquisa sobre Mudança Climática CGIAR e a fundação para Justiça Climática Mary Robinson.
Ertharin Cousin, diretora do Programa Mundial de Alimentação da ONU, disse: “Estamos entrando em um período incerto e arriscado. A mudança climática altera o jogo ao aumentar a exposição a preços de alimentos elevados e voláteis e agrava a vulnerabilidade dos pobres famintos, especialmente os que vivem em zonas de conflito ou áreas de produtividade agrícola marginal. Devemos agir rapidamente para proteger as populações mais pobres do mundo”.
* Publicado originalmente no site Carta Capital.
(Carta Capital)