
Publicado neste domingo no periódico Nature Climate Change, o trabalho, realizado por 21 pesquisadores de sete países, utilizou imagens de satélites para confirmar o avanço da vegetação e registrou ainda um aumento de 10% no crescimento das plantas no Ártico nas últimas três décadas.
“O crescimento das plantas no Ártico durante o início dos anos 1980 era equivalente ao das terras localizadas na latitude 64o norte. Hoje, apenas 30 anos depois, é igual ao de 57o graus norte”, afirmou o coautor Terry Chapin, da Universidade do Alasca. Cada grau de latitude significa 111,133km.
O estudo também descobriu que a diferença entre as temperaturas do verão para o inverno está se reduzindo, sendo registrados invernos cada vez mais amenos.
Todas essas transformações ameaçam o equilíbrio deste que é um dos mais vulneráveis ecossistemas terrestres. Espécies animais, como o urso polar, são automaticamente atingidas pelas mudanças, que alteram a distribuição de alimentos e a presença de gelo marinho, que é necessário para a locomoção desses animais.
Além dos impactos no próprio Ártico, o aquecimento da região acaba afetando o clima em todo o planeta.
“O aquecimento reduz o gelo marinho e a cobertura de neve, aumentando assim a absorção de calor por parte do Ártico. Isso dá início a um ciclo de aumento de temperaturas e ainda mais perda de gelo, amplificando continuamente o aquecimento global”, declarou o coautor Ranga Myneni, da Universidade de Boston.
O degelo do Ártico é um dos componentes mais controversos das mudanças climáticas, já que é visto por alguns como um aspecto positivo delas.
A Rússia, por exemplo, terá um acesso muito mais fácil a toda a riqueza mineral da região, incluindo petróleo. Também, com o desaparecimento de parte do gelo marinho, se abrirão novas rotas comerciais para todas as nações do extremo norte do planeta.
* Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.